Desacreditando em Deus

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*Este é um texto que não se tira nenhuma conclusão sobre ele.

Talvez não seja uma questão de “abrir os olhos” de tomar a consciência do que propriamente as palavras e os gestos dizem. Não que eu não saiba interpretar uma questão subjetiva e nem distanciar do objetos intencionais nas quais o desejo inicial se proliferou, clamou por abrigo. Não é uma questão de deixar claro o pedido em mil palavras e receber algumas sílabas, distanciando o indivíduo  da resposta. Não que eu não soubesse do caminho e nem das possíveis interpelações para fujir de uma gaiola que se fez genuinamente sem utilizar artimanha, mas na qual se tornou metaforicamente abrigo.

A que espaço de tempo alguém pode se curar de algo que não saiba exatamente as causas? As ressacas dos funerais frequentados pelas minhas palavras criam manchas nos meus ouvidos. Estou cansado.
Sei que há razões enormes para se desistir e um infinito universo de tentativas, jogos de acasos onde posso ter a sorte de acertas depois de um milhão de tentativas.
-Discurso desgasto, palavras sem limo.
E eis que positivo tudo incansavelmente. Encontro modelos matemáticos que me explicam que a equação do meu problema existencial é nula e que tenho que “tentar outra”. Mais uma vez tento não tentar equações, tento várias outras equações, dou tempo para tentar mais uma outra equação, acreditando em mais uma outra. Dirão que sou “louco”, tirando as aspas e descascando o limão. De repente há um ninho entre o seu coração e cérebro, estou na ótica incansável de não saber definir sobre os dois. Concluo que eles não existem e fico a beira de cair nos conceitos relativistas. O fato é que se eu seguir a razão, esquecerei a grama de plutônio, o bilhete premiado no armários dos antiquários de vidro. Esquecerei a Deus ou qualquer nome que possa representar uma fé maior, mesmo se alguém for ateu. Desacreditar seria entregar miudamente aos vermes da terrar que come o corpo da terra, seria não ter poesia. Quero encontrar um processo na qual me sublime; álcoois não me responderam. O último poro que o flâmeo se dispôs a levar nas profundezas marítimas. Quero aprender a perfeita reza para que o meu grito saia e libere meu corpo que fora entregue ao sacrifício. Quero aprender a dizer sorrateiramente essa ideia sem espantar ao pássaro que canta no meu jardim. Dei-me a potência da impossibilidade.
Ronaldo Mullan
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