Na Placement do Pai

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O papel do pai no amadurecimento emocional dos filhos

“Pai,
Pode ser que daqui a algum tempo
Haja tempo pra gente ser mais
Muito mais que dois grandes amigos
Pai e filho talvez .” (Fábio Junior)

Pensemos, pois, na placenta que dá cobertura ao ser dentro no útero, aconchego segurança e calor. É ela que por um cordão umbilical une mãe e filho, nutrindo este último não só através das substâncias necessárias para a formação dos órgãos, como também da personalidade. Entendemos o processo de gestação emocional, como a compreensão do mundo em que o filho percebe a si mesmo, o ambiente e o outro. Passando progressivamente por vários estágios emocionais, uma linha tênue de crescimento, de andar e cair, chorar, sorrir, atacar e se defender dentre outras vértices antagônicas rumo ao conhecimento e progresso pessoal. Inequivocamente se é atribuído muito a mãe sobre a maternidade, o cuidado do filho, alimentação e higiene. Mas, e o pai? Esta foi a pergunta que um grande psicanalista criativo, chamado Donald Winnicott fez em um dos seus seminários. E por meio deste pensamento que convido a todos para pensarmos numa gestação paterna, tão quanto importante como a da mãe.

O filho nasce para o pai a partir da notícia da gravidez na mulher; mais do que simbólico para este. A constante presença do pai para o filho contribui em um forte amadurecimento emocional, é através do jogo rítmico de identificações com o pai que o mesmo poderá construir uma sólida personalidade. Entendemos placenta paterna como metáfora para as ideações, proteção e toda a gama de sentimentos atribuída ao filho. Dentro da placenta viva do pai a díade mãe e filho, é uma só concepção. Desta maneira, será impossível tocar em um sem tocar no outro.

A importância do pai no desenvolvimento emocional vai desde ser mãe substituta do filho nos primeiros anos de vida, permitir que a criança amplie o espaço emocional das suas emoções (ousando mais), manter a estabilidade do ambiente, equilibrar os sentimentos maternos, ser espelho para a criança como figura de herói e parceiro de aventura, ajudar o filho no entendimento consigo mesmo, dentre outros fatores tão quanto imprescindível como os citados acima.

As constantes mudanças culturais que vimos nos últimos tempos não permitiram no Brasil termos exemplos massivos, salvo exceções, de uma paternidade saudável. Ainda prevalece o preconceito, o medo e a rejeição na interação entre o pais e filhos. Tem-se uma ideia de que o Holding paterno possa atribuir um elemento feminino para o filho. A ideia de que o Holding paterno possa atribuir um elemento feminino para o filho é ainda muito vigente e constituída de preconceitos. Em outras palavras, a crença é a de que o pai assevera para o filho a destruição do feminino, nas palavras de Nahman Armony:

“Numa sociedade machista, patriarcal, a mente é valorizada em detrimento do corpo-psique. A objetividade, o intelecto, o poder, a riqueza material ficam em um patamar muito superior à sensibilidade, empatia, compaixão, amor. O corpo-psique é ignorado, negado, colocado em segundo plano. As características femininas são vistas como fraquezas, necessárias sim, mas que ficam confinadas ao lar”.

(ARMONY, 2013, p. 123)

Portanto, os elementos híbridos ditos masculinos e feminino são deslocados, como se alguém possuíssem apenas um. Diferentemente do que estar acontecendo na Suíça, como mostra a série de fotos feita pelo Johan Bävman,  onde a licença paterna é estendida a 480 dias para o casal:

Paternidade, link do site aqui

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Assim como um cavalo marinho cuida bem da sua “gestação” é necessário termos cada vez mais pais saudáveis, que possam se livrar das normas rígidas do machismo e possibilitar que os seus filhos desfrutem o mundo com maior responsabilidade, utilizando a criatividade e empatia. Que os pais saibam, desta forma, “parir” para que a linhagem do cuidado se transmita mais suavemente. Que possamos entrar na placenta profunda do mundo e respirarmos seguros, respiração-semente plantadas dentro de nós.

*Placement: é um termo utilizado por Winnicott para designar a importância do lugar.

José Ronaldo de Paulo, Aluno do Curso de Formação de Psicoterapia de Família e Casal (1º ano), Escuta- Centro de Psicologia e Formação.

Vídeo sobre a relação de pais e filhos: https://www.youtube.com/watch?v=Yjpj0pwOgug

Referências:

ARMONY, N. O homem transicional: para além do neurótico & borderline. São Paulo: Zagodoni, 2013.

ROSA, C. E o Pai? Uma Abordagem Winnicottiana. São Paulo: DWW, 2014.

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