A PO-ÉTICA NA CLÍNICA CONTEMPORÂNEA – Análise do Livro

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Conhecer o academicismo é fundamental para sabermos o solo em que pisamos, como também é necessário ter conhecimento sobre as novas práticas clínicas; a nova ontologia do ser. A lógica sobre as transformações do tempo exigem mobilidades que adequem-se aos novos problemas diante do desvanecer e esfarelamento ético-moral. Gilberto Safra no livro A Po-Ética na Clínica Contemporânea, nos coloca diante de um novo modo de pensar sobre os problemas da Clínica na atualidade. A coluna dorsal do livro se dá em torno da palavra russa Sobórnost, trazendo em sua etimologia um conceito ontológico que une o  singular, comunitário e integrativo.  As ramificações desse pensamento se desdobra nas obras dos célebres autores russos como Dostoiévsky, Berdayev e Florensky.

A quebra dos valores morais cristãos anunciados por Nietzsche (crise da fé religiosa) trouxe um vazio das certezas que existem e a solução para este problema Nietzsche anunciou, seria por meio da transvaloração de todos os valores. Com os adventos da Globalização e a Hegemonia da técnica vimos a fragmentação do ethos que alterou de forma significativa  a relação do homem com o mundo e indelevelmente com ele mesmo. O Homem foi reduzido ao irreduzível, coisificado a simples ideias e abstrações. Gilberto Safra alerta à luz da psicanálise sobre o perigo de tais ideias dizendo que a medida em que se perde o contato com o Outro (comunidade, mistério, devir) existe um apagamento de si. Safra  diz que A condição humana acontece no enigmático, no obscuro, indizível, no mistério” . Reduzir o homem a uma ideia é aprisioná-lo em um cubo de vidro. Para o homem o fazer criativo se dá sobre o devir.

Subornóst, é em russo, um substantivo; nost é terminação de substantivo e sobor é raiz que indica associação, comunidade. Se fôssemos traduzir a palavra, seria algo como “pan-unidade”. Utilizarei a palavra Sobórnost transliterado do russo, pois, na literatura internacional, nas diversas áreas do conhecimento humanos, encontramos a palavra como pronunciada em russo.” (Safra, 2004).

Esta forma de olhar, altera qualquer percepção anterior a ideia de indivíduo, aqui aprimorada para o sentido de que cada ser humano é a singularização da vida de muitos; sendo, portanto, comunitário. Tal assentamento traz o sentido de si como fenômeno ontológico comunitário – O ser é comunidade na medida em que se inter-relaciona como parte integrante de tal. Não há como pensar nessas estruturas sem imaginar nas constantes transmutações do homem com a cultura. Subornóst traz a historicidade do ser, por meio da singularidade e destino de todos. O distanciamento do que se é causa o adoecimento do ser. É necessário que o analista conheça quais foram as vias de transgeracionais que causaram o a perca do verdadeiro self.

Ao ler Safra me senti acolhido, amparado e respaldado de algumas respostas, mas foram principalmente os questionamentos que me pintaram mais a minha curiosidade. É um livro denso filosoficamente que me traz um novo modo de olhar para o indivíduo e seus problemas contemporâneos, amparados sobre algumas ideias, transcorridas ao longo do texto em Winnicott como também Bion. O livro está na sua terceira edição e é possível encontrá-lo pela Livraria do Psicanalista através da editora IDÉIAS E LETRAS: A Po-Ética na Clínica Contemporânea.

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