Todos contra Van Gogh – Sobre a morte da subjetividade e destinos porosos

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Aceitar a subjetividade alheia não tem sido tarefa muito fácil. Aliás, tudo tem se mostrado demasiadamente difícil na relações humanas, no que diz respeito a fragmentação dos vínculos. O nosso século hipermoderno ou de uma modernidade líquida (como diria LIPOVETSKY e BAUMAN) carrega traços singulares, de uma subjetividade neurótica-motor não desenvolvida e descarrega suas ansiedades e comportamentos antissociais, nas minorias renegadas. O discurso midiático e os valores machistas transmitido ao logo das gerações é uma grande questão a ser abordada, indagada, posta ao sol, batida na pedra, como diria a filósofa e psicanalista Viviane Mosé no poema Receita para lavar palavra suja. E o que essas questões tem a ver com o Van Gogh? Nascido em 30 de março em 1853 na Holanda, este renomeado pintor que só veio ser verdadeiramente conhecido após a sua morte, foi um vanguardista do pensamento moderno, questionador de dogmas ultrapassados . Em Cartas a Theo podemos observar o seu pensamento no que diz respeito às regras fixas da sociedade, pondo em cheque o espírito livre do ser humano:

Há uma velha escola acadêmica muitas vezes execrável, tirânica, a abominação da desolação, enfim, homens que que têm uma espécie de couraça, uma armadura de aço de preconceitos e convenções; estes, quando estão à testa dos negócios, dispões dos cargos e, por meios indiretos, buscam proteger os seus protegidos e excluir os homens naturais. (VAN GOGH, 1988, p.44)

Que bela citação acima de um jovem com apenas 25 anos na época vivida. Dentro do modelo ainda cartesiano que dividia a razão da não razão, podemos aplicar o pensamento de Van Gogh dentro do século XXI em variáveis esferas, que tal aproximá-lo do Focault? A luta manicomial, os direitos feministas, raciais e de gêneros, etc. Numa outra vertente, toda essa pólvora veio eclodir em nosso século, e o homem (branco e heterossexual no centro egóico do poder) se sente agora mitigado, fragmentado, meio sem rumo. A consequência da avalanche contra as normas rígidas (superego), deu espaço consequentemente para uma maior liberdade insustentável para as crianças, sem o pilar que a segure. O excesso de brinquedo para a criança nutrir a falta de tempo, que não teve com os pais. O excesso de muros para proteger daqueles,  que quando crianças, não tiveram pais. Aceitar a subjetividade do outro é puro refinamento, é um conhecimento aprimorado de si.

Todos contra Van Gogh é a negação abominável que o outro seja diferente e que expresse sua subjetividade,  no seu espaço potencial.

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