O Sopro do Coração Filme chocou década de 70 por trazer relações incestuosas entre mãe e filho

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France • 1971 •Couleurs •1h50

Diretor: Louis MALLE

Fotografia: Ricardo Aronovich

Montagem: Suzanne Baron

Sonoplastia: Jean-Claude Laureux

Músicas: Charlie Parker, Sidney Bechet, Gaston Freche S

O cineasta francês Louis Malle nasceu em 1932, rompeu com os padrões estéticos da época no início do cinema contemporânea colocando temas que eram e são tabus para a sociedade ocidental.

O filme O Sopro do Coração (le souffle au coeur) conta a história do adolescente Laurent Chevalier, quatorze anos, que possui uma relação ambivalente com o seus pais. Sua mãe Clarice tem uma aproximação mais afetuosa com ele, demostrando maior preocupação comparada aos outros filhos e o seu pai Charles, um ginecologista conservador que mantém uma relação de conflito . Lawrence é o último dos três cavalheiros da família, diferente dos outros irmãos é mais sensível, aprecia Jazz, Boris Vian, Marcel Camus e tem um gato chamado Joseph.

 Em psicanálise estudamos que o cordão psicológico é cortado por voltados dos quatorze anos de idade, quando o adolescente deixa as fruições infantis e passa para o despertar da sexualidade, deixando suas características polimórficas bissexuais.

         Acredito que a escolha de Louis Malle do casal possuir três filhos não foi à toa, no mínimo até mesmo uma sugestão inconsciente do mito de Zeus e Europa, onde este primeiro em forma animal transforma-se num belo touro branco (simbolizando os instintos, sexualidade e fertilidade) e encanta uma jovem mortal gerando três filhos com ela.

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As sistêmicas relações familiares são explicadas numa dança de triângulos. No filme a estrutura é formada pela Mãe, Pai, dois filhos primogênitos e o irmão casula, estes dois primeiros vivem numa simbiose, gostos parecidos, brincadeiras com o mais novo, num laço de aprendizado e proteção.   A grande problemática de Laurent vem, por partes, de vínculos conflituosos com o seu pai, que tem a função de cortar a ilusão infantil mostrando que o mesmo vive em um ambiente de regras. Antes de tudo é necessário conhecermos os complexos que se dividem em três: Complexo de Castração, Complexo de Édipo e Complexo de Édipo (no qual, Laurent possui) e Complexo Compartilhado pelos Irmãos.

         Na cena edípica percebemos que a criança se apaixona fortemente pela mãe. Dificilmente o menino se verá no papel do pai se este não manter uma boa relação com a mesma.

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Após ver Clarice saindo com um estranho em um carro quando voltava da escola, Laurent fica revoltado, quebra uma garrafa de leite já na sua casa e vai ao consultório do pai avisá-lo.  Charles nem chega a prestar escuta ao filho; expulsa ele veemente chamando-o de louco e pede para a sua secretária acompanha-lo. Com muita raiva, Laurent volta para casa, rasga uma camisa branca, escolhe um livro na estante J’irai cracher sur vos tombe (Vou cuspir em seu túmulo) do escritor Boris Vian e se tranca no quarto para se masturbar.

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         A masturbação funciona como descarga de tensão, na adolescência é a tentativa de construir o luto da castração (perda infantil) e enfrentar as ansiedades geradas pelas inexperiências e vontade de se autoafirmar. Nesta fase, os impulsos sexuais principalmente no menino, estão à flor da pele.

         Clarice e Charles viajam para Paris e na ausência dos pais os filhos fazem uma festa libertina, convidando vários amigos e também mulheres. Laurent flerta com uma jovem e depois seus irmãos leva-o para uma festa onde o mesmo perde a sua virgindade com Freda, uma mulher mais velha que ele. Mais uma vez, observamos nesta cena há um ponto de congruência no papel de identificação de Freda com Clarice na mente de Laurent. No recrutamento do ginásio o menino fica doente e depois é diagnosticado com uma infecção cardiovascular chamada “sopro no coração”. Laurent junto com sua mãe procura uma cura no Bourbon-les-Eaux. Ilhados da sua família, ele desenvolve um vínculo mais profundo com Clarice. Na festa de 14 de julho consuma-se a passagem ao ato, numa cena de sexo com sua mãe. Os estudos em psicanálise indicam que tal ato pode acarretar sérios problemas na idade adulta.

Numa complementação a história dos atores principais, o filme também oferece um verdadeiro retrato contundente da sociedade francesa dos anos 60. A inserção da adolescência no início da idade adulta negando o moralismo da época.

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