A mídia e os “Outros”

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Cada dia que abrimos jornais, seja ele no computador ou no papel impresso verificamos notícias cruas sobre a violência urbana, enredados por um texto acrítico de fatos apresentados. Todo impacto ganhará a cópia de outro impacto. Sem se falar do desejo sádico que outras pessoas têm em mostrar cenas fortes de acidentes, seja pra dizer: isso não aconteceu comigo “ainda bem”! Ou pra ter uma dimensão acentuada de um universo que “me constituo”.

Quanto mais ônibus e pessoas queimadas são apresentados na TV, mais ônibus e pessoas queimadas serão copiados na próxima semana. A banalização do mal já ganhou saldos catastróficos. Obviamente que a luta pela audiência e o desejo de ver mais sangue e crimes dos telespectadores não fará mudar essa opinião tão fácil. Nesse presente texto o meu tomo principal não é apenas tomar a mídia fora do censo crítico e sim estudar esse desejo sádico de “aparecer” queimar, matar, roubar, massacrar o outro em um breve resumo sobre as estruturas psicológicas, dentro do olhar psicanalítico do sujeito e ação.

Pensando sobre as últimas transformações do século, vemos triunfar o modelo capitalista, marcado sobretudo, após a queda do muro de Berlim. O mundo foi se globalizando e a relação do sujeito e objeto se significaram sobre tais influências. O modelo de trocas mercadológicas exerceu forte influência nas relações de poder com os “outros” dentro do mercado consumista. Vemos a mudança de percepção dos relacionamentos amorosos, no qual o padrão saudável seria uma demanda de um padrão qualificado, ótica invertida para o quantificado. O importante é “ter” a maior quantidade de objetos possíveis que o outro não tem. O sujeito passa a formar sua “persona” através da comparação aos outros. Portanto, o medo de sofrer e decepcionar-se ganha forte extensão e o deslocamento libidinal é observado nas compras como fruição, descarga de prazer.

 

Nesse regate histórico social, algumas estruturas da psique são acentuadas ao longo do tempo, sobretudo quando falos do superego, conceito elaborado por Freud que significa a agencia moral e crítica da mente. Os primeiros vestígios surgiram no estudo da clínica histérica em 1982. O importante de falar do superego (conceito extenso e obscuro) é observar que comparando o homem a um “saco existencial” onde no mundo pós-moderno o tempo do sofrer (algo inerente para a condição humana) se tornou escasso; é mais fácil tomar um pedaço do comprimido da “tarja” preto. Com esta maneira de encarar as nuances da vida o ser  se tornou ineficaz com as exigências dele mesmo, da sociedade e família. Quando ocorre o desmoronamento do “eu” há uma fuga para a bebida, as drogas e outras práticas compulsórias com o intuito de aliviar essa tensão existencial.  Com a desconfiguração do modelo familiar onde, por exemplo, não há um ser patriarcal, o “pai” da família, entendendo este último fora da figura biológica (lembrando que há mães que exercem o papel de pai) cria -se filhos que não sabem como agir perante a perda.  Surgindo o desmoronamento do superego na criança,  que é a capacidade de se “doar para o outro” agir educadamente perante os limites, a angústia ganha a vez. Quando a elaboração do conceito de respeito à condição humana do outro, não é bem elaborado, a força das pulsões são elevadas causando danos psicológicos, por vezes irreversíveis.

Sem o freio colocado pelos pais, o outro tem algo melhor que eu. Eu tenho que ter o que é dele. Sem o superego, temos uma mortificação do instinto, que cria uma raiva; vontade de danificar o outro. Para compreensão melhor de tais percepções assistam a palestra do Ivan Capelatto , disponível no Youtube – Limites: a formação necessária do Superego:

https://www.youtube.com/watch?v=Lf7SeEfy_s8

Portanto, o papel da mídia não é construtivo quando levado apenas a notícia pela notícia. Entendo a mídia, como formação ética do sujeito. Não há uma constância da compreensão, de uma boa notícia para a má notícia, tudo passa rápido como uma montanha russa.

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