The Walking Dead: a ausência do tempo para luto e os seus estágios.

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Uma série, onde o prumo da razão bambeia. The Walking Dead é a luta por uma “morte digna” num ambiente apocalíptico preenchido por mortos-vivos que pode ser, por exemplo, a sua mãe sentindo-se atraída pelo seu sangue. Chamamos Zumbi, um ser sem alma que vive em um corpo qualquer. Veremos questões relacionadas aos cincos estágios da morte, muito bem elabora no livro Sobre a Morte e o Morrer e Roda Viva, da autora suíça Elisabeth Kluber Ross. A autora discorre sobre os cinco estágios vividos por uma pessoa, não especificamente até a morte, mas o que pode ocasioná-la. São eles: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação.Não é necessário todos ocorrerem numa pessoa que esteja, por exemplo, com câncer terminal e nem seguir de maneira linear. Deterei-me aqui sobre os elementos mais importantes vistos na série. O luto é algo questionável, pois não se tem substancialmente “tempo” de tê-lo, quando a preservação da própria vida estar em constante perigo. No início, podemos observar que cada personagem tem um pai, mãe, filho(a), amigo(a), namorado(a), esposo(a), etc… Na qual a ligação existencial é atrelada a ideia de que “eu vivo para lhe proteger”e “sem você a minha angústia existencial seria insuportável”. Obviamente quando esse laço se quebra, por meio de uma perca muito trágica causada por um zumbi ou não, a vida que antes parecia impossível ganha um novo significado. Agora não se vive apenas, por se viver. Vive-se da forma que se pode, do “jeito que dá” em pro de também homenagear o “outro” que antes era a razão e o sentido.

Em uma segunda parte The Walking Dead mostrará que o zumbi, antes foco número um mais temido, tornará secundário; não menos perigoso. A luta por se ter uma vida digna passará pela disputa do poder sobre os outros. Obviamente que nessa relação entre pessoa-pessoa ganhará substância, questões relacionadas à ética (lugar onde se vive da melhor forma possível com os outros).

Voltando a Elisabeth, podemos dizer que:

A Negação- está atrelada a um choque da perda. Frases do tipo “isso não está acontecendo comigo” há um deslocamento do real para o “impensável- possível”.

A Raiva- nela se tratando da série é algo positivo quando usada através de um “pulso de vida” e negativa quando diante da perda, o indivíduo se culpa pela morte do outro.

A Barganha- Barganha-se ao outro humano pela sobrevivência colocando em xeque outras pessoas (Eu lhe deixo viver se você matar, ou me entregar tal pessoa). O jeito mais comum, que é intermediar através de um Deus, não se materializa de maneira enfática na série.

A Depressão- Cair numa depressão onde o mundo estar se acabando por zumbis, é se entregar à carnificina.

Aceitação- Vê-se na série, pessoas que não suportaram a dor de um mundo se acabando e se entregaram, deixando-se morrer ou cometendo suicídio.

A luta pela sobrevivência e a melhor forma de se viver, onde o conceito de “melhor” é totalmente questionável é o que punciona a série. Onde as palavras não tem nenhum sentido diante da dor. Rick e o seu grupo lutam por encontrar uma possível cura que salve a humanidade e aqueles que se mostre arbitrários a esse ideia é visto como um inimigo em potencial. Será The Walking Dead um delírio do próprio Rick (o anti-herói), como se especula? O fato é que a série traz questões humanas presentes na nossa sociedade, como as doenças biológica e o Biopoder, dentre outros, dentro de um crivo ético indagador. Não é à toa considerada uma das melhores séries de TV dos últimos tempos.

 
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