Aceitar os aspectos bucólicos da vida

 

Parece um pouco contra a concepção normal, numa cultura que diz “seja feliz”, “a vida é assim mesmo”. Diante das mais diversas ocasiões que vivenciamos. Sabemos que ela, a  grande e enigmática vida tem das suas agruras, seus momentos de dor, fraquezas, desânimos… Contra a cultura da felicidade não é impor a melancolia e a tristeza. É ter estabilidades das circunstâncias e sinceramente, algumas vezes chega a fazer cócegas as situações embaraçosas, as irritações do cotidiano. Se por um lado somos tomados por sonhos e desejos, as frustações e as não realizações deles poderão vir como um balde de água fria. Ter a real consciência de tais situações frustrantes não significa a voz de um fracassado, aceitar é a primeira fase da reconstituição, a primeira ecdise de um ser com pulsos de aços, cada qual tomando como o seu ritmo e mito. Não acredito que há um encontro com o “si mesmo” sem o silêncio. Ouvir a própria voz e o gotejar dos pingos da chuva com a sua poça, os “gut, gut…” arejado com o cheiro de terra molhada é o que me acalma. Para alguns pode encontra-la ouvindo uma música de heavy metal, ou um “panqueló’ como diz uma amiga.

         O método é simples, mas não é fácil. Requer tempo e sabedoria, nunca antes separados . Um pensamento vivo é aquele que perdeu qualquer pretensão de se fazer vivo. Só saberá disso, por exemplo, quem pela manhã tomou uma xícara e não se deu por si o que segurava nas mãos, mas se admirou com a forma da borra, com o desenho estranho, quem não se distanciou do grande mistério que a vida traz.

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