Santa Selfie de cada dia.

16th-century-super-heroes-11

Fontes da imagem:http://www.boredpanda.com/16th-century-super-heroes-super-flamands-sacha-goldberger/?image_id=16th-century-super-heroes-11.jpg

A banalização do fotografar-se virou mania em redes sociais principalmente entre os mais jovens e celebridades, precisamente se recorrem ao uso dos celulares. É sabido que o fenômeno selfie já fora conhecido no período absolutista entre os reis, rainhas, aristocratas da burguesia do século XVI e era sinônimo de status, poder dentro de uma sociedade marcada por grandes contrastes econômicos, não era qualquer pessoa que podia contratar um pintor para fazer um autorretrato. O termo foi atribuído supostamente em 2002 por Nathan Hope, australiano que publicou na rede uma foto com sua boca costurada após consumir muita bebida. É impossível não nos lembrarmos da lenda de Narciso, que morreu em um lago admirando o seu próprio reflexo, pois quando se tira uma selfie as pessoas estão admirandas consigo mesmas. Fotografa-se por  fotografar, a intenção é mostrar ao outro um ser desconhecido ,revelando detalhes íntimos de uma vida, recortes do cotidianos, tenta se descobrir pelo olho de vidro do outro. Vira uma ponte evolutiva do ego em si a possível banalização do ser nas situações esdrúxulas, incentivada pela indústria televisiva, jornais, revistas, etc… A pergunta inicial é, o que o selfie pode revelar de nós mesmo?

                O mundo virtual tem maravilhas do bem viver, ninguém coloca uma foto angustiada, chorando, em resumo sofrendo por algo. A maioria das fotos revela um bem estar. Será um desejo de se mostrar ao outro “bem” revele alguma insegurança? Lembremos então da famosa escala de Abraham Maslow em sua teoria temos a Necessidade de Aceitação. Isso quer dizer que, a quantidade de curtidas ou comentários em uma foto revele a importância do eu para o outro, minha inserção no espaço da sociedade. Não basta apenas viver, tem que afirmar a vida para o outro. As selfies podem revelar consequentemente problemas com a autoestima, que manipulado pelo photoshop insurge a não aceitação do próprio corpo, este castigado pela morte do pensamento. Mas nem tudo é tão radical, não é o simples fato de se publicar numa timeline que revela algum sentimento de angústia. A pergunta que cada pessoa deve fazer é  o quanto se fica ansioso, em um período curto de tempo, a espera de uma curtida ou comentário. A forma como me apresento para o mundo não ganhará uma prerrogativa autêntica pelos mecanismos de copia, é preciso se reinventar, desviar-se de um ponto além do ego, se entregar ao existir em si, incentivar essa vontade propulsora de criações que tanto o Nietzsche fala no livro Vontade de Potência. Construir o bem-estar no mundo vai muito além do desejo de afirmação, nasce em meandros da aceitação.

Ronaldo Mullan

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