Sobre o mal estar do tempo sem experiência

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Edgar Morin no livro Amor Poesia e Sabedoria nos fala que o amor precede a palavra, se rompendo do respaldar das infracções das influências culturais. Sobre o pós-modernismo vale a pena ler Bauman sobre as relações líquidas da sociedade, mas isto deixará para textos posteriores. Porque cada vez mais se tem um discurso seja de nós mesmo ou de algum amigo, ente querido sobre o tédio do dia a dia? O que nos revela o tempo fraqueado sobre os nossos olhos cansados? O tempo nos determina, em estados de heteronomia, somos controlados pelo tempo sem experiência, que quer dizer tempo sem estado de poesia, não apenas a expressa em palavras. Poesia pode ser definida por um música, uma composição de uma pintura, dança, fotografia, escultura, perfume, lembranças, etc…Em Nietzsche vamos encontrar uma das suas clássicas frases “Temos a arte para não morrer de verdade”, isso quer dizer que a proposta da ciência em trazer um suposto bem-estar para o homem não foi concretizada, os problemas da alma não foram resolvidos pelos remédios, estes podem trazer um alívio imediato e hoje podemos transcrever de maneira mais precisa sobre a cultura da depressão, o mal estar mais bem falado da nossa década.

Em resumo o século XXI é marcado pela morte de Deus a quebra de mitos, e com ele também o amor, muito confundido pelo amor romântico no sentido “meloso”. Ainda se é pouco conhecido à prática filosófica do verdadeiro amor no nosso cotidiano. A pobreza da experiência se revela no sentido conjuntamente a anemia de pensar. Hoje em dia temos e acreditamos muito nas respostas prontas aos males da sociedade, pensar filosoficamente “dói”, a pobreza do pensar sem sentir se assola na pressa do cotidiano. Em troca, por exemplo, um pai que passa o dia inteiro no trabalho, quando chega o dia do aniversário do filho quer recompensar esse “tempo perdido” com inúmeros presentes, trazendo um prazer momentâneo e deixando um vácuo profundo.

Há um texto muito interessante do Walter Benjamin chamado Experiência e pobreza, em que ele fala sobre a transmissão do conhecimento está vinculado à prática de uma determinada atividade, pela criação de valor e reconhecimento daquilo que se faz. Nesse texto ele aborda sobre a riqueza das histórias ou estórias que possui uma moral foi diluída para os jovens; já não existe pessoas que sabem contar verdadeiras histórias com riquezas (fascinação) de detalhes. Outro ponto interessante, é quando Morin nos diz que nada é mais pobre do que uma verdade sem sentimento de verdade. Não é possível tirar o imaginário das nossas vidas, temos que prezar por uma homeostase do bem viver. Podemos falar em um estado anestésico, quando se há um vazio das emoções. Na sociedade atual compra-se uma emoção barata e plástica para a experiência do sentir, o vazio do espiritual exprime o afastamento do corpo, que por horas só sentimos na doença, na plástica, no outro e dificilmente em nós. Para termos tempo “preenchido” precisamos nos desprender de nós mesmo por ações benéficas ao outro, isso não revela um “pensar infantil”, pois o outro nos constitui, aprimora e desconcerta.

Ronaldo Mullan

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